Os italianos não têm o “apego brasileiro” por carros. Barulhos, amassados, riscos e sujeiras não os incomodam a ponto de gastar fortunas em trocas ou compras de novos bens.

Apesar do marketing da indústria automotiva, é difícil convencer o italiano de que o transporte público é menos eficiente do que o veículo particular. Além de rápido, pontual e bem distribuído pela cidade, trens, ônibus e metrôs não dão gastos como impostos, seguro, manutenção e estacionamento.

Não há stress! Diferente do paulistano, mas tão caótico quanto, o trânsito de Roma é um exercício de paciência. Lento e com poucos espaços entre os veículos, motoristas são obrigados a dividir e dar preferência aos pedestres e bicicletas.

Nestes 18 dias de turismo, aprendi a desvalorizar o meu próprio carro. Não que eu vá estacionar em qualquer lugar ou passar pelos buracos sem me importar com possíveis danos. Porém, a compra ou troca por outro está bem longe dos meus planos.

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Preferência por carros pequenos como Smart e Fiat 500 (Foto: Cleber Akamine)

Carro pra quê?

É natural que, nós brasileiros, pensamos diferente. O nosso transporte público está sempre lotado, atrasado e nem sempre nos leva ao destino desejado.

Resta-nos, então, esta dependência pelo carro ou moto. Assim, opcionais que geram conforto como ar condicionado, insulfilm, banco de couro, passam a ser essenciais.

E não é só isso. As cidades cresceram desordenadamente. Não há políticas públicas ou planejamento urbano para tantos carros, ônibus, motos, caminhões, tratores e carroças ocuparem o mesmo espaço. E as bicicletas? E os pedestres? E os trens? Como é que o Brasil não possui uma malha ferroviária eficiente?

Temos as estradas, excelentes fontes de levam renda para governos e concessionárias. As montadoras de automóveis, consequentemente, também são beneficiadas.

Imagine se o brasileiro deixasse de usar as rodovias e carros, e passasse a usar trens e metrôs, quantos reis perderiam suas majestades? Será que um dia seremos beneficiados nesta cadeia?

Uma pena que não exista interesse por parte dos nossos governantes. Ou melhor, os interesses são outros!

PS. Sim, existem os apaixonados por (consumidores de) Ferrari’s e Porsche’s, mas são poucos, os ricos.

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