Será que sentiram falta dos 11 tópicos?

Depois de uma semana puxada (plantão de carnaval) e uma folga merecida (na praia, sem ver jogos), cá estou para mais uma análise deste Botafogo, 7° colocado do Paulistão. Prontos?

1) Passadas nove rodadas deste Campeonato Paulista, o torcedor botafoguense precisa entender o estilo Marcelo Veiga. Eficiente, o treinador consegue, com pouco investimento, fazer frente a grandes times e somar pontos que colocam, hoje, o time no G8. Com três zagueiros altos e fortes, e dois volantes que saibam marcar, Veiga tenta não sofrer gols em casa. Ele sabe que com uma bola parada, pode decidir a partida;

2) Veiga aprendeu nestes anos todos de Paulistão que não há tempo para montar times que joguem bonito. São praticamente cinco meses intensos, de jogos a cada três dias, lesões e cartões, campos molhados e sem tempo para treinamento. Veiga nos ensina que, se não sofrer gols, um, pelo menos, o time dele vai fazer. Dos nove jogos do Pantera neste Paulistão, em CINCO o time marcou gol na chamada “bola parada”: contra São Bernardo (Cris marcou), Guarani (Igor cabeceou e Gaúcho aproveitou rebote), Barbarense (Gaúcho no escanteio), Mirassol (Nunes no escanteio) e Penapolense (Cris no escanteio). O time só não somou pontos quando a defesa foi vazada;

3) Esqueça o jogo bonito, torcedor. Quando tiver que dar chutão pra frente, o time vai dar chutão pra frente. Não à toa, Veiga sempre cobra muita pegada – isso explica as muitas faltas/cartões. Vejo nas redes sociais os torcedores pedirem para que o treinador abra mão de três zagueiros e dois volantes, e que passe a jogar mais bonito. Faço um desafio: aponte um time neste Campeonato Paulista que tem jogado bonito e tem conquistado bons resultados;

4) Falemos do jogo contra o Penapolense. A equipe começou muito mal. Dimba e Francis marcavam errado, por zona. Fábio Gama estava mal posicionado, Zé Antônio tendo que sair demais, deixando o atacante Silvinho livre pelas pontas. César Gaúcho ficava vendido a frente da zaga, sem saber se marcava os meias que vinham de trás ou ajudava os zagueiros. Eis que veio o apagão. Este, na minha opinião, salvou o Botafogo. Não fosse a tempestade, o Penapolense, PELO MENOS, teria saído na frente;

5) Depois do apagão, o time voltou melhor. Francis e Dimba ajudaram mais e impediam as descidas dos volantes. Fábio Gama passou a cuidar de um dos meias, César Gaúcho e Zé Antônio compactaram melhor a frente da área. Mesmo não jogando bem, a marcação melhorou e o jogo ficou equilibrado;

6) Eis que surge o lance de bola parada e, de cabeça, Cris aproveitou o vacilo do goleiro do Roni. Note bem o lance (http://glo.bo/X7nzqr). O zagueiro Igor, muito inteligente, fica parado na entrada da pequena área para atrapalhar o goleiro do Penapolense. Preocupado com Igor, Roni deixa de ir na bola, vai no corpo do botafoguense, e deixa Cris livre. Sorte no lance? Não. Quem acompanha os treinos do Botafogo, sabe o quanto o técnico Marcelo Veiga insiste nas cobranças de faltas e escanteios. Mesmo nos coletivos, a cada bola parada, o cobrador faz pelo menos cinco cruzamentos;

7) Mesmo com o placar favorável, o Botafogo pecou na saída de bola. Sem o atacante Nunes, referência para os zagueiros/volantes, o time sofreu para controlar a posse de bola. Dimba não tem essa característica. Esforçado, ele bem que tentou cair pelas pontas, mas com o time bastante recuado, o atacante foi presa fácil para os marcadores. Fábio Gama, preocupado em ajudar na marcação, poderia ter aparecido mais para o jogo;

8) Nesta partida, ficou nítida a falta que faz o atacante Nunes no esquema de jogo do técnico Marcelo Veiga. O centroavante fixo, que sabe fazer o pivô, segura a bola e distribui as jogadas nas laterais, é fundamental quando o time tem cinco jogadores de marcação. É óbvio que o Nunes erra muitos domínios – muitas vezes por receber bolas “quadradas” -, mas ele acerta outros tantos que acabam deixando o time respirar um pouco mais com a posse da bola ou “agrupar para sair jogando”, como diz Marcelo Veiga;

9) Fábio Gama é habilidoso. Consegue segurar mais a posse de bola do que o meia Douglas Packer. Porém, o time perde na marcação. Quando recebe a bola “redonda”, Gama distribui bem as jogadas. Porém, quando a bola vem na fogueira (foram duas), o meia tentou afastar e os chutes (fracos) caíram nos pés dos volantes do Penapolense. Uma pena que um jogador com extrema habilidade seja tão franzino. Fosse um pouco mais forte, teria tudo para ser um excelente jogador. Apesar da fragilidade na marcação, deu mais qualidade ao meio-campo e deve continuar como titular no lugar de Packer;

10) Não preciso fazer elogios a Daniel Borges. Já os fiz em outros posts. Aqui, então, vai uma crítica construtiva. Daniel precisa ter mais tranquilidade quando está com a posse da bola. No único lance que ele realmente partiu pra cima do marcador do Penapolense, foi parado com falta. Em compensação, por duas vezes, quando foi sair jogando (ainda no primeiro tempo), se precipitou ao tentar fazer dois passes para o Dimba, armando o contra-ataque. Daniel ainda não tem a noção do quanto ele é veloz. Contra o Penapolense, ficou claro que ele era mais rápido do que seus marcadores, porém, ele insistia em passar a bola quando o melhor caminho era partir pra cima. Essa noção de quando ele deve carregar a bola, quando deve tocar, tentar o drible e chutar, vem com o tempo. O crescimento deste menino nas mãos do técnico Marcelo Veiga é impressionante;

11) Francis jogou muita bola contra o Penapolense. Não fosse o árbitro Vinicius Gonçalves Dias Araujo, o atacante botafoguense teria pendurado toda a defesa do Penapolense na metade do segundo tempo e, fatalmente, alguém seria expulso. Foram muitas faltas em cima do atacante botafoguense, que desta vez soube explorar bem sua velocidade. Depois de ficar fora contra o Mirassol, Francis mostrou que é capaz e pode ser decisivo, seja marcando gols, seja incomodando a defesa. Não posso esquecer de enaltecer as boas atuações do zagueiro Cris e também do volante César Gaúcho. Ambos deram uma boa estabilidade ao time, logicamente, após o apagão;