Vamos lá, sem cerimônias? As impressões da vitória botafoguense, suada e sofrida diante do São Bernardo:

1) Todos sabiam (ou deveriam saber) que o Botafogo conquistaria vitórias mesmo jogando mal. E virão derrotas, mesmo atuando melhor do que o adversário. Neste domingo, o São Bernardo se defendia muito bem e levava muito perigo nos contra-ataques até sofrer o primeiro gol;

2) Na maior parte do tempo o São Bernardo foi melhor na partida. Com dois atacantes fortes, que seguravam a bola na frente, e mais dois meias rápidos, a zaga do Botafogo teve dificuldades e sobraram espaços nas costas dos alas. O Bernô chegou à linha de fundo em várias oportunidades, principalmente no primeiro tempo, mas não soube executar os cruzamentos;

3) Gilmak sofreu neste domingo, até pela boa movimentação dos atacantes e dos meias do Bernô. O primeiro volante botafoguense se desdobrava para auxiliar os zagueiros, que também tinham dificuldades em acompanhar os contra-ataques rápidos. Zé Antônio, com mais espaço do que Douglas Packer no meio-campo, fez boas investidas e novamente serviu de “desafogo”. Daniel Borges e Fernando “faltaram” no apoio pelos lados;

4) Os garotos Daniel Borges, Francis e Fernando naturalmente sentiriam, em algum momento, a pressão de um jogo importante. Na partida onde tudo – ou quase tudo – dava errado, Daniel e Francis demonstraram nervosismo e ansiedade no querer acertar. Francis foi substituído. Bastou sair o primeiro gol para Daniel se soltar mais e participar diretamente do segundo gol, lançando a bola para o volante Zé Antônio – Nunes aproveitou a vantagem e marcou;

5) O agora ala Fernando sentiu a falta de entrosamento com seus “novos companheiros”. Treinando sempre entre os reservas, o jogador se perdeu no sistema de marcação e quase não foi ao ataque. O próprio jogador, após a partida, confirmou que precisa conhecer melhor os companheiros. No setor ofensivo – principal qualidade de Giovanni -, faltou agressividade. Passada a estreia, o ala deve melhorar seu rendimento;

6) Dois escanteios bem cobrados. Em uma delas, o Botafogo quase marcou. Na outra, caixa. Curiosamente, as duas cobranças foram feitas pelo lado direito (cobrado com o pé canhoto) e na cabeça do zagueiro Cris. Pela direita, com Daniel, as batidas têm sido muito altas, facilitando o trabalho da zaga adversária. Veiga já havia alertado isso durante os treinamentos, porém, o fundamento segue sem um bom aproveitamento;

7) Um lado da moeda: Veiga precisa treinar a recomposição defensiva após as cobranças de escanteio e faltas. O time sofreu o primeiro gol contra o Santos justamente em um lance como este. Neste domingo, em duas oportunidades, uma em cada tempo, o Bernô quase marcou. No primeiro, logo no comecinho da partida, Rafael fez grande defesa. No segundo, Gilmak conseguiu antecipar e desarmou o meia do São Bernardo;

8) O outro lado: Veiga tem jogadores altos e a tônica do Botafogo será o cruzamento na área, principalmente em lances de bola parada. Cris, Caldeira, Igor e Nunes devem dar trabalho aos marcadores adversários;

9) Nunes tem sido guerreiro e batalhador nos chamados “chutões para frente”. É dura a vida do centroavante, que recebe empurrões do zagueiro e ainda precisa amaciar a bola para os companheiros. Posso estar enganado, mas este foi o primeiro chute que Nunes deu neste Paulistão. Gol do atacante que disse algumas verdades nesta semana (eu disse algumas) e já fala em um reencontro com o Peixe;

10) Rafael mostrou que está recuperando a sua melhor forma. Neste domingo, pela primeira vez no Paulistão, o goleiro foi exigido. E foram pelo menos três lances difíceis. Depois de ficar três meses sem jogar, o camisa 1 (ou 17, neste domingo) mostrou evolução e passou segurança aos companheiros – e também ao torcedor;

11) Nas palavras do técnico Marcelo Veiga, em entrevista coletiva pós-jogo, o alívio de ter vencido a partida era evidente. Veiga sabe que o São Bernardo esteve muito mais próximo de abrir o placar do que o Botafogo. É o futebol;

Anúncios