Cá estou para falar da vitória santista na noite desta quarta-feira, por 3 a 0, com mais uma atuação de gala do craque Neymar. Até quando e o que mais este garoto precisa fazer para provar ao próprio povo brasileiro que ele é craque? Vamos aos 11 tópicos da partida válida pela segunda rodada do Campeonato Paulista?

1) O Botafogo fez um início de partida muito bom, marcando a saída de bola e, de certa forma, surpreendendo o Santos na Vila. O Peixe, sem muitas opções na saída de bola, foi obrigado a fazer passes mais longos, facilitando a marcação das principais referências no ataque, Neymar e Montillo;

2) O “pequeno” quando enfrenta um “grande” tem que aproveitar as chances de gol. Não foram claras, mas em duas oportunidades o Botafogo poderia ter balançado as redes: com Daniel Borges, após cruzamento de Francis, e com Nunes, que recebeu dentro da pequena área, mas foi travado pela zaga na hora do arremate;

3) A grande diferença do Botafogo que enfrentou o Oeste para o time que pegou o Peixe foi a saída de Giovanni. Enquanto o ala esquerdo esteve em campo, o time conseguiu sustentar a marcação no campo de ataque, segurando as decidas do lateral Bruno Peres. Com Giovanni, o lado esquerdo do Pantera também tinha mais uma opção na saída de bola. O jogador sofreu uma pancada no pé direito e teve de ser substituído. O substituto Alex demonstrou ter habilidade, mas não tem a mesma velocidade e o vigor físico do ala. Alex é mais meio-campista, aquele jogador que cadencia a posse de bola, levanta a cabeça e distribui as jogadas, e tem mais dificuldades na marcação;

4) A “blitz” botafoguense durou pouco tempo: 25 minutos aproximadamente. Além da saída de Giovanni, o Santos mudou a forma de jogar. Neymar passou a buscar mais a bola, tirando o zagueiro Henrique Mattos da área, abrindo mais espaços para Cícero e Montillo no meio-campo. Pela direita (que já não tinha Giovanni), Bruno Peres passou a levar mais perigo, junto com Arouca. Com os espaços e as oportunidades criadas, Gilmak foi obrigado a recuar um pouco mais e o time passou a ser sufocado;

5) Dois erros no lance do primeiro gol do Santos. Douglas Packer errou o tempo de bola, foi driblado e não parou a jogada com falta. Na sequência, o goleiro Rafael se assustou com a presença de Neymar e espalmou para frente, quando poderia ter segurado a bola ou jogado pela linha de fundo. No segundo gol, Neymar mostrou que não pode ter espaço. Um lançamento preciso e o camisa 11 marca mesmo, com tranquilidade. Já no fim, Miralles aproveitou a defesa em linha e ganhou na velocidade para fechar o placar;

6) Os berros do técnico Marcelo Veiga, principalmente no segundo tempo, mostraram que o posicionamento da defesa não estava de acordo com o combinado nos vestiários – talvez pelo cansaço? A todo momento o treinador pedia aos zagueiros, principalmente a César Gaúcho, que “saísse na caça”. A explicação é simples: deixando os defensores atrás, próximos à grande área, sobram espaços para os meias Arouca e Cícero trabalharem melhor as jogadas – espaço que não tinha nos primeiros minutos de partida;

7) Henrique Mattos não tem culpa do que fez Neymar. Aliás, pagou o pato que qualquer outro defensor do Pantera pagaria. Em noite inspirada, fica difícil parar o craque santista. Dar o bote? Corre o risco de fazer faltas – como o fez e foi advertido com cartão amarelo. Esperar ele dominar e virar de frente? Neymar é rápido demais e consegue sair da marcação. Sair da área para marcá-lo? Ele toca de primeira e recebe na frente. Dura a vida de Henrique Mattos, que pode ser uma boa opção para o técnico Marcelo Veiga ao longo da competição, mas não para anular Neymar. Aliás, hoje, no Brasil, quem consegue marcar Neymar?

8) Renê Junior fez uma exibição de gala. É óbvio que os holofotes ficaram voltados para as jogadas geniais de Neymar e também para a boa estreia de Cícero na Vila. Porém, pelo conjunto da obra, o volante, ex-Ponte Preta, demonstrou que tem potencial e pode vir a ser um baita volante. Sabe se posicionar, é rápido, pode atuar como zagueiro e não se precipita quando está com a bola nos pés;

9) No Pantera, o melhor em campo, novamente, foi Zé Antônio. Bem posicionado, o volante fez desarmes, segurou a bola na tentativa de desafogar o time, chegou a frente e deu um dos poucos chutes que assustaram o goleiro Rafael. Zé Antônio conquistou seu espaço no time e dificilmente perderá o lugar na equipe titular para André, que já estava à disposição de Marcelo Veiga na partida diante do Peixe;

10) Alguns jogadores sentiram, realmente, o peso de jogar na Vila Belmiro contra o Santos de Neymar, como bem salientou o técnico Marcelo Veiga. Um deles foi o atacante Francis. Apagado durante os 90 minutos, o camisa 7 não repetiu a boa atuação diante do Oeste;

11) Na entrevista pós-jogo, Veiga deu uma declaração muito interessante. Se a todo momento o técnico do Pantera dizia que a competição não era contra os grandes, no vestiário, o papo era outro. O treinador deixou bem claro que perder não estava em seus planos. Pode até ser normal, mas que o grupo não poderia se contentar com a derrota. O time não pode se acostumar com o ambiente negativo, disse ao site oficial. Tudo isso, claro, tentando resgatar a confiança adquirida contra o Oeste, já visando a partida contra o São Bernardo;

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